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O renascer das touradas no Canadá - Friday, August 20, 2010

 

Primeira corrida Sol e Toiros:

O renascer das touradas no Canadá

Por António Perinú, Noémia Gomes e Débora Viveiros
Sol Português

 

Depois de mais de duas décadas desde que pela última vez se realizaram touradas no Canadá, o passado sábado registou o regresso da clássica festa brava portuguesa com a realização da primeira corrida da ganadaria luso-canadiana Sol e Toiros.

 

Cada acontecimento é um acontecimento e se há uns de que o público mal se dá conta, outros há que ficam registados para sempre e fazem história. Será o caso desta corrida que marcou o retorno do espectáculo tauromáquico ao país, pela primeira vez neste ainda novo século.

Há quase três décadas que o Jornal Sol Português tem vindo a dedicar múltiplas páginas à festa brava, dando especial destaque à nascente tradição tauromáquica que neste país que também é nosso se tenta implantar.

 
   

Estamos em crer que ao longo deste tempo, só em páginas taurinas já poderíamos editar um livro – que até seria volumoso, uma vez que temos acompanhado de perto todos os acontecimentos taurinos registados entre nós.

Com esta edição voltamos a adicionar ao conteúdo que engrossará certamente o registo do que tem sido a história do toureio neste país.

 
 
   
 
   

Concretização de um sonho

No dia 14 de Agosto de 2010 a ganadaria luso-canadiana Sol e Toiros, casa das ganadarias Açoriana e Fernando Gonçalves, bordou a letras de ouro o renascimento entre nós das corridas de toiros, espectáculo que nasceu do povo e que é do povo, mesmo deste lado do Atlântico onde conta com muitos aficcionados.

A comprová-lo esteve a enchente que se registou nesta primeira corrida e que, considerando que se realizou a meio do mês de Agosto, no período em que mais pessoas se encontram de férias, pressagia que a procura será ainda maior quando estas se realizarem em períodos mais concorridos, como sejam num princípio de Junho ou final de Setembro.

Esta primeira corrida foi o concretizar do sonho de dois homens que não se pouparam a esforços. Aficcionados do mais puro quilate, Élio Leal e Fernando Gonçalves, proprietários da ganadaria organizadora da corrida, ofereceram a todos os outros aficcionados aqui residentes a oportunidade de finalmente verem algo que também os alegra.

 
   

Com muita persistência e dedicação venceram os imensos obstáculos no seu caminho e conseguiram reunir não só as condições ideais como as necessárias licenças que lhes permitem, a partir de agora, realizar este género de espectáculo periodicamente.

Naturalmente que cabe aos aficcionados a última palavra, uma vez que depende deles o sucesso e a continuidade destes eventos, mas as condições estão criadas, a avaliarmos pela dimensão da quinta, pela qualidade da matéria prima em termos de reses bravas – que ultrapassam as 300 cabeças – e pelos excelentes cavalos de toureio.

Uma arena com a dimensão da praça de toiros de Angra do Heroísmo – com curros modernos e funcionais, que nada ficam a dever aos das melhores praças – completa o pacote a que apenas falta limar algumas arestas.

 
   

Dia de sol e de toiros

Quando a nossa reportagem chegou à quinta da Sol e Toiros, ainda pela manhã, deparámo-nos imediatamente com uma longa fila de carros. Era o sinal que indicava que a praça iria registar uma grande entrada.

O dia estava quente mas não em excesso e a ausência de vento oferecia as condições ideais para o toureio apeado.

Por todo o lado viam-se caras sorridentes e era palpável o entusiasmo crescente à medida em que se aproximava a hora do espectáculo.

Uma delegação vinda da Califórnia trouxe até nós um grupo de ganadeiros e aficcionados luso-americanos, figuras ligadas ao principal centro do toureio na América do Norte e que quiseram associar-se a este momento histórico.

Entre os visitantes estiveram Ezequiel Correia, José Silveira "Preto", Eduardo Silveira, Erie Bettencourt, Dinis Nunes, Steve Selph, Frank Silva, José Nunes e António Morais, assim como os ganadeiros Jorge e Dorothy Martins, Manuel de Sousa filho e Artur Cabral.

 
 

Para aumentar ainda mais o entusiasmo, pouco antes do início da corrida a banda Ecos Taurinos, dirigida pelo maestro Miguel Domingues, percorreu o circuito, fazendo o trajecto desde a entrada da herdade até ao redondel a tocar um pasodoble que despertou a atenção de todos.

A corrida foi dirigida pelo director do Jornal Sol Português, António Perinú, que precisamente às 15h00 em ponto e na presença do Ministro do Trabalho do Ontário, o luso-canadiano Peter Fonseca, dava a ordem para o início do espectáculo.

Num desfile cheio de garbo e beleza, o passeio – também designado por cortesias – trouxe à arena os cavaleiros Tiago e João Pamplona nos seus trajos luzidios, montados em elegantes cavalos, o matador de toiros António João Ferreira "Tójó" e o seu bandarilheiro Rodolfo Barquinha, os peões de brega José Leonardo, Jorge Silva e Diogo Coelho, e os elementos do novo Grupo de Forcados Amadores do Canadá.

Estes seriam os intervenientes que nessa tarde colocavam a vida em jogo para mostrarem o seu valor e entreterem o público, o qual saudaram com entusiasmo.

 

Da arte de marialva às lides do povo

A entrada do primeiro toiro na arena foi seguida de momentos de grande emoção e algum drama já que o animal lançou-se em corrida e rapidamente galgou a trincheira, precisamente onde se encontravam duas das nossas repórteres, Noémia Gomes e Débora Viveiros. O animal levou tudo de rompão e obrigou os que se encontravam nos corredores a procurarem rapidamente refúgio nos burladeros.

Mas o incidente foi de curta duração já que o animal rapidamente regressou à arena onde Tiago Pamplona o aguardava para o "combate" taurino que se desenhava.

Depois de dois ferros compridos bem cravados, o cavaleiro trocou de montada e voltou para colocar os curtos, escutando então música até ao final, como prémio do seu valor.

Tiago Pamplona acabou o primeiro ciclo da sua actuação com uma volta à arena, mas a solo, já que o forcado Armando Sampaio não conseguiu completar a pega do toiro, muito por falta de apoio e ajuda oportuna dos colegas, apesar de ter feito várias tentativas.

Também para o irmão, João Pamplona, a volta à arena após ter toureado com sucesso o seu primeiro toiro foi solitária uma vez que os forcados, numa atitude indigna de quem enverga a jaqueta, se recusaram a pegar a rês.

João Pamplona começou por cravar dois ferros compridos no cornúpeto antes de trocar de cavalo, voltando depois para, ao som de música e dos aplausos do público, acabar nos curtos com grande destreza.

 

Foi então que os forcados, chamados a pegar o toiro, indicaram que não o fariam, deixando uma nota negativa que dificilmente vão conseguir apagar do palmarés deste grupo estreante.

No regresso de Tiago Pamplona para o quarto toiro da tarde, o cavaleiro repetiu a sua actuação anterior, cravando com sucesso os ferros compridos e curtos que lhe foram dados a manusear, revelando valentia e brio.

A sua volta à arena desta feita foi feita na companhia do forcado Nelson Mendes que, numa brilhante pega de caras, havia conseguido com sucesso implantar-se na cabeça do toiro e levar o acto à sua conclusão.

O regresso de João Pamplona para o seu segundo toiro, o quinto da tarde, colocou o cavaleiro perante uma rês impossível de tourear. Inconstante, o animal saltou a trincheira à primeira oportunidade e apesar do muito porfiar do cavaleiro teve de regressar aos curros pois fugia do cavalo, embora entrasse bem no capote dos peões de brega.

Já o "sobrero" (suplente) permitiu ao cavaleiro revelar as suas aptidões, começando pelos ferros compridos e concluindo com os curtos ao som de música e dos aplausos de um público apreciativo.

Na pega da rês, Matthew Cabral fez duas tentativas goradas, muito por falta de ajuda dos colegas – tal como já havia acontecido com o primeiro toiro da tarde – mas à terceira foi de vez e levou o animal de vencida.

Cavaleiro e forcado deram então a volta à arena, sob o aplauso dos espectadores.

 

A pé, com convicção

 

A componente do toureio apeado nesta corrida mista destinou dois toiros ao matador português Tójó, os terceiro e sexto da tarde.

Jovem mas longe de inexperiente, este toureiro deixou bem patente porque mereceu a honra de tourear três tardes em Madrid e outras tantas em Sevilha, as mais importantes praças do mundo taurino.

De capote, recebeu o seu primeiro toiro por verónicas, desenhando depois "chicuelinas" rematadas com "revolera".

No tércio de bandarilhas, crava três pares, todos a quarteio e um deles à meia volta.

Excelente "muletero" e no centro da arena, lugar dos toureiros de coração grande, o diestro toureia por "derechazos" consecutivos, alguns a fechar o círculo, rematados com passes de peito.

Pela esquerda, ao natural, é agarrado mas sem consequências. O cornúpeto mete-se e dá "tarrascadas" pelo lado esquerdo mas Tójó toureia-o então pela direita e leva-o à submissão, concluindo com desplantes de joelhos, frente ao toiro.

A segunda rês recebe-a com um afarolado, depois por verónicas, fazendo então um tércio de bandarilhas em tudo semelhante ao primeiro.

Munido da muleta, o toureiro vê que o animal não passa por ambos os lados e porfia, procurando fazer dele espectáculo. O toiro "apaga-se" mas, com muito esforço e sabedoria, consegue sacar alguns bons "derechazos".

António João Ferreira "Tójó" viria a escutar grandes ovações, graças às duas excelentes actuações que lhe mereceram voltas à arena e ida aos médios, ao som de música, como já havia acontecido durante as lides.

   

Análise de uma corrida histórica

 

Todos os artistas brindaram os empresários-ganadeiros Élio Leal e Fernando Gonçalves nas suas actuações, tendo Tiago Pamplona oferecido a lide do seu primeiro toiro da tarde ao Ministro Peter Fonseca, que ficou visivelmente radiante com a honra.

Para a primeira corrida, esta tourada não poderia ter sido mais bem sucedida, quer em termos de assistência, quer como espectáculo.

No que tocou à dupla de cavaleiros terceirenses, os irmãos Tiago e João Pamplona souberam lidar as reses com galhardia, sem recorrerem ao mais fácil mas sim empenhando-se – apesar de algumas dificuldades dos toiros – em demonstrar ao público que são toureiros de brio.

Dos compridos aos curtos, das sortes de violino aos ferros de palmo, nas suas actuações destacou-se sobretudo a mestria com que se esquivam à investida do animal, assim como a forma elegante como fazem depois o oferecimento da garupa da preciosa montada, consentindo-a ao adversário que a procura depois de lhe terem, com serenidade e firmeza, cravado os ferros.

Mas se a actuação e procedimento dos cavaleiros foi de cinco estrelas, a actuação do Grupo de Forcados Amadores do Canadá foi simplesmente vergonhosa e desapontante.

 
   

Nem todos são merecedores de vestir uma jaqueta e todos eles deveriam ter pensado bem antes de a vestirem, Não é forcado qualquer um e estes não puderam e simplesmente não quiseram pegar o segundo toiro da tarde, o que representa uma afronta à coragem e arte do pegador.

Quanto ao toureio apeado, o matador de toiros Tójó demonstrou bem o seu valor. Sereno, aguentou a investida dos toiros, toureou e extraiu dos animais o rendimento máximo, o que deixou o público emocionado.

Toureiro completo – capote, bandarilhas e muleta – mostrou ser diestro dos pés à cabeça e merece que a ganadaria Sol e Toiros o traga novamente até nós na próxima temporada.

Para todo este êxito, muito contribuiu o público aficcionado que encheu a praça e participou com alegria e vibração.

Quanto aos toiros, houve-os de peso, considerando as condições de lide que aqui são possíveis, e graças à alta qualidade dos cavalos de toureio ao dispor dos cavaleiros também esta componente das festas ficou assegurada.

Em suma, houve toiros, houve toureiros, houve público, houve festa brava!

 
Grande corrida de toiros no Canadá marcada para 14 de Agosto - Friday, July 23, 2010

   
 
 

Pela primeira vez desde o século passado:

Grande corrida de toiros no Canadá marcada para 14 de Agosto

Ganadaria Sol e Toiros vai efectuar em solo canadiano a primeira corrida de toiros desde os finais da década de '80, quando estas deixaram de se realizar entre nós

 

O toureio e a festa brava fazem parte da cultura lusitana desde há séculos e acompanham os portugueses para onde quer que vão. Neste canto do mundo, onde centenas de milhares vieram a estabelecer-se, porém, a realização de espectáculos tauromáquicos torna-se mais complicada e requer muita dedicação e força de vontade por forma a vencer os obstáculos à sua realização.

No início dos anos `80 do século passado escreveu-se nestas paragens uma das mais bonitas páginas da tauromaquia, graças à força indómita de aficcionados portugueses que, contra tudo e contra todos, intentaram em trazer até nós corridas de toiros.

 
 
     
 
 

Durante vários anos a realização de corridas de toiros foi uma ocorrência regular durante o período do Verão, atraindo milhares de espectadores, mas em finais da década o número de espectáculos realizados começou a escassear. As corridas passaram a realizar-se com menor frequência e, eventualmente, extinguiram-se.

A única excepção foram os espectáculos taurinos inspirados nas corridas à corda terceirenses, que se continuaram a realizar. Mas as verdadeiras corridas de toiros, clássicas e tradicionais, nunca mais se voltaram a ver por estas paragens.

Só que existe, e sempre existirá entre os portugueses, quem mantenha a chama acesa dentro de si. Alguém com o "vício" dos toiros e em quem corre nas veias "sangue tauromáquico" que clama pela corrida de praça tradicional, com cavaleiros e toureiro a pé.

Entre nós, esse alguém dá pelo nome de Élio Leal, empresário que, decorridos que estão os primeiros dez anos deste século, vai finalmente concretizar o seu sonho de realizar uma corrida de toiros mista em solo canadiano.

É um sonho vivido por muitos mais aficcionados e a corrida, agendada para 14 de Agosto próximo, promete ficar nos anais da história da festa brava.

O palco será a localidade de Dundalk, onde se encontram as herdades da Ganadaria Sol e Toiros, casa composta pelas Ganadarias Açoriana e Fernando Gonçalves, e a praça de toiros ali erguida.

Após cerca de duas décadas sem que se voltassem a realizar corridas de praça no Canadá, voltamos então a uma das mais genuínas tradições lusitanas: a corrida de toiros, uma festa do povo por excelência.

Pelo que temos acompanhado, Élio Leal não se tem poupado a esforços e despesas para garantir a realização da corrida, desde as necessárias licenças e entraves burocráticos à contratação do elenco.

 
 
     
 
 

Assim, entre nós irão actuar dois dos mais consagrados nomes da arte de marialva nascidos em solo açoriano: Tiago Pamplona, cavaleiro de alternativa e João Pamplona, com prova de praticante já tirada e cartas dadas na área.

Convém referir que ambos são filhos do primeiro cavaleiro de alternativa açoriano João Carlos Pamplona e netos de Raul Pamplona, que foi cavaleiro amador e figura incontornável da festa brava terceirense, falecido a 17 de Abril deste ano.

Será um dia propício para assistir à actuação destes dois irmãos, continua-dores da dinastia Pamplona, que lidarão dois toiros cada nesta corrida.

Para a chamada arte de montes, ou seja, o toureio apeado, Élio Leal contratou o matador de toiros António João Ferreira "Tójó", que no seu trajecto conta já com uma brilhante carreira.

António João Ferreira Silva Duarte, de seu nome completo, nasceu em Santarém e foi aluno da escola de toureio José Falcão de 1996 até 2003, altura em que debutou com picadores.

Como novilheiro, toureou nas mais importantes praças de toiros espanholas pelo que, avaliando pela actuações que teve em Las Ventas, Madrid, e Real Maestranza de Caballéria, Sevilha, a sua prestação entre nós proporcionará com certeza um bonito espectáculo.

O Grupo de Forcados Amadores do Canadá irá fazer a sua grande estreia oficial nesta corrida, tendo como cabo Miguel Ataíde, forcado que já vem dos tempos do Grupo da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, na altura em que ainda se realizavam corridas de toiros entre nós.

Segundo o ganadeiro empresário Élio Leal, serão lidados seis toiros, quatro a cavalo e dois a pé, provenientes da Califórnia e do Colorado, e que já estão apartados para esta corrida.

A corrida vai ser abrilhantada pela Banda Ecos Taurinos, dirigida pelo maestro Miguel Domingos, e o director de corrida será António Perinú, director do Jornal Sol Português.

 
Touradas à corda no Madeira Park: 532" e "115" deram brado - Friday, July 16, 2010

   
 
 
Touradas à corda no Madeira Park:
"532" e "115" deram brado
Por António Perinú e Débora Viveiros
Sol Português

Com o tempo convidativo aos passeios e piqueniques no parque, uma visita ao verdejante Madeira Park no passado sábado e domingo para desfrutar das famosas espetadas regionais ao ar livre garantiu também a apreciação de duas das melhores touradas à corda da época.

 
 
     
 
 

Organizadas pela Ganadaria Sol e Toiros, os espectáculos não beneficiaram de muito público, provavelmente devido ao calor opressivo que terá mantido muita gente afastada, refugiada no conforto dos ambientes arrefecidos por ar condicionado.

Pena, porque foram realmente espectáculos de alta qualidade, com momentos de grande emoção graças à nobreza das reses e à crescente perícia dos capinhas luso-canadianos, que se revelam cada vez mais exímios praticantes desta arte tauromáquica terceirense.

 
 
 
 
 
 

No sábado, a par do agradável ar campestre, a forte humidade relativa do ar acabou por transformar uma aprazível onda de calor num bafo opressivo, ao qual muitos preferiram fugir.

Ainda assim, umas duas centenas de pessoas estiveram neste convívio no Madeira Park onde até veteranos nestas andanças – como o presidente da Casa da Madeira de Toronto, Salomé Gonçalves – se queixavam que o calor fazia queimar as mãos de quem manuseava os ferros das espetadas.

 
 
 
   
 
 

Mas o grande atractivo era na realidade a tourada à corda e os que lá estiveram nessa tarde sabem que o espectáculo que ali se desenrolou foi uma emocionante corrida, completa com cinco voluntariosos toiros das ganadarias Açoriana e Sol e Toiros, valentes capinhas e até uma colhida embaraçosa para um elemento do público mais afoito que quis tentar a sua sorte na arena.

Dos cinco cornúpetos que saíram para a arena – com os números 526, 525, 532 e 521 – quatro estavam já habituados a estas lides, sendo o quinto, com o número 115, um toiro puro que saiu da gaiola "com gás", a varrer os que se encontravam no recinto e a meter a cabeça acima da vedação protectora.

Também o número 532, sobretudo, se revelou um toiro particularmente forte, a dar "uma boa corda", como se diz em gíria tauromáquica terceirense" e a levar, numa das suas muitas investidas, um membro do público que se aventurou no recinto a voar sobre a vedação, depois de muito pouco diplomaticamente lhe ter enfiado um piton pela retaguarda.

A colhida rasgou-lhe as calças e levou-o a procurar os serviços hospitalares, segundo nos informou Élio Leal, um dos responsáveis da empresa organizadora.

Os capinhas, porém, mostraram-se mais adeptos do que nunca às provas frente aos animais, com José Luís, Joe Vieira, Nelson Mendes e Patrício a fazerem belos recortes, quer com os panos quer com os chapéus de chuva.

 
 
   
 
 

Esta prova revelou estarem em forma e não ficarem a dever nada aos seus colegas terceirenses.

A assistir ao espectáculo esteve o cavaleiro tauromáquico Rui Santos, que se encontra há uma semana no Canadá, a preparar os cavalos para a grande corrida de praça a realizar a 14 de Agosto na Ganadaria Sol e Toiros.

Em declarações aos jornais Sol Português e Voice, de que damos mais pormenores noutra reportagem nesta edição, o cavaleiro mostrou-se entusiasmado com os cavalos da ganadaria canadiana, que apelidou de excelentes, fazendo antever um emocionante espectáculo.

 
Ganadaria luso-canadiana tourada de praça ferra novas reses e prepara-se para a próxima temporada - Monday, September 28, 2009

Voice

Sol e toiros

A ferra anual da Ganadaria Sol e Toiros juntou este fim-desemana várias centenas de aficionados para assistirem à marcação das novas reses e simultaneamente desfrutarem do ambiente campero que caracteriza estes encontros.

Sábado e domingo, o público e convidados do ganadeiro Élio Leal, proprietário da Sol e Toiros, conviveram num ambiente descontraído onde a festa brava foi o elemento dominante.

Denominados ferras, estes encontros anuais são a altura em que os bezerros e bezerras são marcados com o ferro que ostenta o símbolo da ganadaria.

Neste encontro a que tivemos oportunidade de assistir, no dia de sábado (26), o convívio começou logo pela manhã, quando se procedeu ao marcar das reses.

Durante a tarde foram lidados dois novilhos no tentadero. Ambos com dois anos e meio, ficaram a cargo da mestria de Tiago Pamplona – filho de João Carlos Pamplona, o primeiro cavaleiro açoriano de alternativa.

Tiago Pamplona tomou alternative na Praça de Angra no passado dia 17 de Junho e encontra-se já há uma semana entre nós, vindo directamente da Terceira para manter os cavalos da ganadaria Sol e Toiros.

O primeiro novilho em praça foi manso, à procura das tábuas e a refugiar-se na crença natural, mas Tiago Pamplona soube, dentro do possível, tirar partido, colocando alguns ferros com valor.
O segundo, um bravo voluntarioso, permitiu ao jovem cavaleiro colocar dois bons ferros compridos, mas foi nos curtos que mais entusiasmou os presents – particularmente com o último curto da tarde, seguido de ferro de palmo, à meia volta, os forcados locais mostraram que se está a formar um grupo, pegando logo à primeira vez.

No primeiro novilho Armando Sampaio e no segundo Chris Rebelo foram os forcados de cara, que tiveram ajudas oportunas dos companheiros. No final, deram a volta à arena com o cavaleiro.
Segundo Élio Leal, que nos acompanhou na nossa reportagem, estes dias destinaram-se a avaliar três componentes essenciais para o sucesso da próxima época tauromáquica: avaliar o desempenho dos cavalos de toureio que adquiriu na Califórnia, determinar a bravura dos novilhos da sua ganadaria, e permitir ao Grupo de Forcados Amadores do Ontário uma oportunidade para treinarem as pegas.

A ganadaria Sol e Toiros conta actualmente com 250 cabeças e tem três sementais, um vindo do México, outro de Manuel de Sousa, da Califórnia e o terceiro do Colorado.

 
Touradas à Corda chegam ao Madeira Park - Saturday, July 01, 2006

  
 
                 

                                                   
A ganadaria Sol e Toiros não mediu forças para melhor apresentar um verdadeiro espectáculo de Touradas à Corda à moda da Terceira, em Toronto, mais especificamente no Madeira Park. 

O sucesso destas touradas tem sido tão marcante na última década que os portugueses, sobretudo os oriundos da ilha Terceira, já não conseguem passar sem um verdadeiro espectáculo em que o touro é o grande protagonista. Centenas de pessoas deslocaram-se no passado fim de semana ao Madeira Park com esse mesmo propósito: poder participar dum espectáculo ao ar livre, sob um sol escaldante, reviver o passado e matar saudades de tradições que nem sempre podem viver no local de onde são oriundas. 
 Nos Açores, as festas com lides de touros são conhecidas desde meados do séc.XVI. Embora tenham caído em desuso nas outras ilhas, ficaram bem enraizadas na Ilha Terceira, talvez pela maioria dos primeiros colonos ser oriunda do Alentejo e da Estremadura. Na Ilha Terceira este espaço tornou-se mais alargado pela acção dos "Mascarados da Corda" que controlavam as investidas do touro. Vestiam calças brancas e camisas avivadas de encarnado, com bonés de copa baixa e viseiras. Actualmente, quem controla a corda são quatro homens hábeis, já não se usando máscara. O povo à volta, em grande algazarra, incita o touro embolado, com capinhas improvisadas, casacos ou mesmo guarda-chuvas abertos.

A tradição chegou ao Canadá pelas mãos de Joe Borges e segue agora com as ganadarias Sol e Toiros e Olé Toiro. No evento do fim de semana passado, o presidente da câmara de Georgina, Robert Grossi, fez questão de estar presente com uma das filhas para poder observar uma tradição que desconhecia, mas que confessou apreciar. Robert Grossi recebeu um cheque no valor de mil dólares, oferecido por Élio Leal, João Abreu e Joe da Silva, o primeiro proprietário da Ganadaria Sol e Toiros e os dois últimos directores da Casa da Madeira, para os lares da cidade de Georgina. 

Uma festa açoriana, num parque madeirense, recheada de pestiscos das duas ilhas. Élio Leal promete continuar com a tradição que reúne tanta gente da sua terra. E se possível, segundo diz, sempre num local (neste caso o Madeira Park) que também seja português. 
 
 
Ana Fernandes/Bernardete Gouveia