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Grande corrida de toiros no Canadá marcada para 14 de Agosto - Friday, July 23, 2010

   
 
 

Pela primeira vez desde o século passado:

Grande corrida de toiros no Canadá marcada para 14 de Agosto

Ganadaria Sol e Toiros vai efectuar em solo canadiano a primeira corrida de toiros desde os finais da década de '80, quando estas deixaram de se realizar entre nós

 

O toureio e a festa brava fazem parte da cultura lusitana desde há séculos e acompanham os portugueses para onde quer que vão. Neste canto do mundo, onde centenas de milhares vieram a estabelecer-se, porém, a realização de espectáculos tauromáquicos torna-se mais complicada e requer muita dedicação e força de vontade por forma a vencer os obstáculos à sua realização.

No início dos anos `80 do século passado escreveu-se nestas paragens uma das mais bonitas páginas da tauromaquia, graças à força indómita de aficcionados portugueses que, contra tudo e contra todos, intentaram em trazer até nós corridas de toiros.

 
 
     
 
 

Durante vários anos a realização de corridas de toiros foi uma ocorrência regular durante o período do Verão, atraindo milhares de espectadores, mas em finais da década o número de espectáculos realizados começou a escassear. As corridas passaram a realizar-se com menor frequência e, eventualmente, extinguiram-se.

A única excepção foram os espectáculos taurinos inspirados nas corridas à corda terceirenses, que se continuaram a realizar. Mas as verdadeiras corridas de toiros, clássicas e tradicionais, nunca mais se voltaram a ver por estas paragens.

Só que existe, e sempre existirá entre os portugueses, quem mantenha a chama acesa dentro de si. Alguém com o "vício" dos toiros e em quem corre nas veias "sangue tauromáquico" que clama pela corrida de praça tradicional, com cavaleiros e toureiro a pé.

Entre nós, esse alguém dá pelo nome de Élio Leal, empresário que, decorridos que estão os primeiros dez anos deste século, vai finalmente concretizar o seu sonho de realizar uma corrida de toiros mista em solo canadiano.

É um sonho vivido por muitos mais aficcionados e a corrida, agendada para 14 de Agosto próximo, promete ficar nos anais da história da festa brava.

O palco será a localidade de Dundalk, onde se encontram as herdades da Ganadaria Sol e Toiros, casa composta pelas Ganadarias Açoriana e Fernando Gonçalves, e a praça de toiros ali erguida.

Após cerca de duas décadas sem que se voltassem a realizar corridas de praça no Canadá, voltamos então a uma das mais genuínas tradições lusitanas: a corrida de toiros, uma festa do povo por excelência.

Pelo que temos acompanhado, Élio Leal não se tem poupado a esforços e despesas para garantir a realização da corrida, desde as necessárias licenças e entraves burocráticos à contratação do elenco.

 
 
     
 
 

Assim, entre nós irão actuar dois dos mais consagrados nomes da arte de marialva nascidos em solo açoriano: Tiago Pamplona, cavaleiro de alternativa e João Pamplona, com prova de praticante já tirada e cartas dadas na área.

Convém referir que ambos são filhos do primeiro cavaleiro de alternativa açoriano João Carlos Pamplona e netos de Raul Pamplona, que foi cavaleiro amador e figura incontornável da festa brava terceirense, falecido a 17 de Abril deste ano.

Será um dia propício para assistir à actuação destes dois irmãos, continua-dores da dinastia Pamplona, que lidarão dois toiros cada nesta corrida.

Para a chamada arte de montes, ou seja, o toureio apeado, Élio Leal contratou o matador de toiros António João Ferreira "Tójó", que no seu trajecto conta já com uma brilhante carreira.

António João Ferreira Silva Duarte, de seu nome completo, nasceu em Santarém e foi aluno da escola de toureio José Falcão de 1996 até 2003, altura em que debutou com picadores.

Como novilheiro, toureou nas mais importantes praças de toiros espanholas pelo que, avaliando pela actuações que teve em Las Ventas, Madrid, e Real Maestranza de Caballéria, Sevilha, a sua prestação entre nós proporcionará com certeza um bonito espectáculo.

O Grupo de Forcados Amadores do Canadá irá fazer a sua grande estreia oficial nesta corrida, tendo como cabo Miguel Ataíde, forcado que já vem dos tempos do Grupo da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, na altura em que ainda se realizavam corridas de toiros entre nós.

Segundo o ganadeiro empresário Élio Leal, serão lidados seis toiros, quatro a cavalo e dois a pé, provenientes da Califórnia e do Colorado, e que já estão apartados para esta corrida.

A corrida vai ser abrilhantada pela Banda Ecos Taurinos, dirigida pelo maestro Miguel Domingos, e o director de corrida será António Perinú, director do Jornal Sol Português.

 
Touradas à corda no Madeira Park: 532" e "115" deram brado - Friday, July 16, 2010

   
 
 
Touradas à corda no Madeira Park:
"532" e "115" deram brado
Por António Perinú e Débora Viveiros
Sol Português

Com o tempo convidativo aos passeios e piqueniques no parque, uma visita ao verdejante Madeira Park no passado sábado e domingo para desfrutar das famosas espetadas regionais ao ar livre garantiu também a apreciação de duas das melhores touradas à corda da época.

 
 
     
 
 

Organizadas pela Ganadaria Sol e Toiros, os espectáculos não beneficiaram de muito público, provavelmente devido ao calor opressivo que terá mantido muita gente afastada, refugiada no conforto dos ambientes arrefecidos por ar condicionado.

Pena, porque foram realmente espectáculos de alta qualidade, com momentos de grande emoção graças à nobreza das reses e à crescente perícia dos capinhas luso-canadianos, que se revelam cada vez mais exímios praticantes desta arte tauromáquica terceirense.

 
 
 
 
 
 

No sábado, a par do agradável ar campestre, a forte humidade relativa do ar acabou por transformar uma aprazível onda de calor num bafo opressivo, ao qual muitos preferiram fugir.

Ainda assim, umas duas centenas de pessoas estiveram neste convívio no Madeira Park onde até veteranos nestas andanças – como o presidente da Casa da Madeira de Toronto, Salomé Gonçalves – se queixavam que o calor fazia queimar as mãos de quem manuseava os ferros das espetadas.

 
 
 
   
 
 

Mas o grande atractivo era na realidade a tourada à corda e os que lá estiveram nessa tarde sabem que o espectáculo que ali se desenrolou foi uma emocionante corrida, completa com cinco voluntariosos toiros das ganadarias Açoriana e Sol e Toiros, valentes capinhas e até uma colhida embaraçosa para um elemento do público mais afoito que quis tentar a sua sorte na arena.

Dos cinco cornúpetos que saíram para a arena – com os números 526, 525, 532 e 521 – quatro estavam já habituados a estas lides, sendo o quinto, com o número 115, um toiro puro que saiu da gaiola "com gás", a varrer os que se encontravam no recinto e a meter a cabeça acima da vedação protectora.

Também o número 532, sobretudo, se revelou um toiro particularmente forte, a dar "uma boa corda", como se diz em gíria tauromáquica terceirense" e a levar, numa das suas muitas investidas, um membro do público que se aventurou no recinto a voar sobre a vedação, depois de muito pouco diplomaticamente lhe ter enfiado um piton pela retaguarda.

A colhida rasgou-lhe as calças e levou-o a procurar os serviços hospitalares, segundo nos informou Élio Leal, um dos responsáveis da empresa organizadora.

Os capinhas, porém, mostraram-se mais adeptos do que nunca às provas frente aos animais, com José Luís, Joe Vieira, Nelson Mendes e Patrício a fazerem belos recortes, quer com os panos quer com os chapéus de chuva.

 
 
   
 
 

Esta prova revelou estarem em forma e não ficarem a dever nada aos seus colegas terceirenses.

A assistir ao espectáculo esteve o cavaleiro tauromáquico Rui Santos, que se encontra há uma semana no Canadá, a preparar os cavalos para a grande corrida de praça a realizar a 14 de Agosto na Ganadaria Sol e Toiros.

Em declarações aos jornais Sol Português e Voice, de que damos mais pormenores noutra reportagem nesta edição, o cavaleiro mostrou-se entusiasmado com os cavalos da ganadaria canadiana, que apelidou de excelentes, fazendo antever um emocionante espectáculo.

 
Ganadaria luso-canadiana tourada de praça ferra novas reses e prepara-se para a próxima temporada - Monday, September 28, 2009

Voice

Sol e toiros

A ferra anual da Ganadaria Sol e Toiros juntou este fim-desemana várias centenas de aficionados para assistirem à marcação das novas reses e simultaneamente desfrutarem do ambiente campero que caracteriza estes encontros.

Sábado e domingo, o público e convidados do ganadeiro Élio Leal, proprietário da Sol e Toiros, conviveram num ambiente descontraído onde a festa brava foi o elemento dominante.

Denominados ferras, estes encontros anuais são a altura em que os bezerros e bezerras são marcados com o ferro que ostenta o símbolo da ganadaria.

Neste encontro a que tivemos oportunidade de assistir, no dia de sábado (26), o convívio começou logo pela manhã, quando se procedeu ao marcar das reses.

Durante a tarde foram lidados dois novilhos no tentadero. Ambos com dois anos e meio, ficaram a cargo da mestria de Tiago Pamplona – filho de João Carlos Pamplona, o primeiro cavaleiro açoriano de alternativa.

Tiago Pamplona tomou alternative na Praça de Angra no passado dia 17 de Junho e encontra-se já há uma semana entre nós, vindo directamente da Terceira para manter os cavalos da ganadaria Sol e Toiros.

O primeiro novilho em praça foi manso, à procura das tábuas e a refugiar-se na crença natural, mas Tiago Pamplona soube, dentro do possível, tirar partido, colocando alguns ferros com valor.
O segundo, um bravo voluntarioso, permitiu ao jovem cavaleiro colocar dois bons ferros compridos, mas foi nos curtos que mais entusiasmou os presents – particularmente com o último curto da tarde, seguido de ferro de palmo, à meia volta, os forcados locais mostraram que se está a formar um grupo, pegando logo à primeira vez.

No primeiro novilho Armando Sampaio e no segundo Chris Rebelo foram os forcados de cara, que tiveram ajudas oportunas dos companheiros. No final, deram a volta à arena com o cavaleiro.
Segundo Élio Leal, que nos acompanhou na nossa reportagem, estes dias destinaram-se a avaliar três componentes essenciais para o sucesso da próxima época tauromáquica: avaliar o desempenho dos cavalos de toureio que adquiriu na Califórnia, determinar a bravura dos novilhos da sua ganadaria, e permitir ao Grupo de Forcados Amadores do Ontário uma oportunidade para treinarem as pegas.

A ganadaria Sol e Toiros conta actualmente com 250 cabeças e tem três sementais, um vindo do México, outro de Manuel de Sousa, da Califórnia e o terceiro do Colorado.

 
Touradas à Corda chegam ao Madeira Park - Saturday, July 01, 2006

  
 
                 

                                                   
A ganadaria Sol e Toiros não mediu forças para melhor apresentar um verdadeiro espectáculo de Touradas à Corda à moda da Terceira, em Toronto, mais especificamente no Madeira Park. 

O sucesso destas touradas tem sido tão marcante na última década que os portugueses, sobretudo os oriundos da ilha Terceira, já não conseguem passar sem um verdadeiro espectáculo em que o touro é o grande protagonista. Centenas de pessoas deslocaram-se no passado fim de semana ao Madeira Park com esse mesmo propósito: poder participar dum espectáculo ao ar livre, sob um sol escaldante, reviver o passado e matar saudades de tradições que nem sempre podem viver no local de onde são oriundas. 
 Nos Açores, as festas com lides de touros são conhecidas desde meados do séc.XVI. Embora tenham caído em desuso nas outras ilhas, ficaram bem enraizadas na Ilha Terceira, talvez pela maioria dos primeiros colonos ser oriunda do Alentejo e da Estremadura. Na Ilha Terceira este espaço tornou-se mais alargado pela acção dos "Mascarados da Corda" que controlavam as investidas do touro. Vestiam calças brancas e camisas avivadas de encarnado, com bonés de copa baixa e viseiras. Actualmente, quem controla a corda são quatro homens hábeis, já não se usando máscara. O povo à volta, em grande algazarra, incita o touro embolado, com capinhas improvisadas, casacos ou mesmo guarda-chuvas abertos.

A tradição chegou ao Canadá pelas mãos de Joe Borges e segue agora com as ganadarias Sol e Toiros e Olé Toiro. No evento do fim de semana passado, o presidente da câmara de Georgina, Robert Grossi, fez questão de estar presente com uma das filhas para poder observar uma tradição que desconhecia, mas que confessou apreciar. Robert Grossi recebeu um cheque no valor de mil dólares, oferecido por Élio Leal, João Abreu e Joe da Silva, o primeiro proprietário da Ganadaria Sol e Toiros e os dois últimos directores da Casa da Madeira, para os lares da cidade de Georgina. 

Uma festa açoriana, num parque madeirense, recheada de pestiscos das duas ilhas. Élio Leal promete continuar com a tradição que reúne tanta gente da sua terra. E se possível, segundo diz, sempre num local (neste caso o Madeira Park) que também seja português. 
 
 
Ana Fernandes/Bernardete Gouveia